29.03.21

Sobre Sepé de los Santos, por Vanderlei Cunha

Sepé de los Santos é o produtor musical do Espaço 373. Confira o relator de Vanderlei Cunha sobre o nosso querido e talentoso Sepé.

Autor: Yuri Lopardo   .   Espaço 373

Como ensinou Millôr, um retrato 3X4 de um amigo 20/15

Sepé Tiaraju de los Santos é meu amigo querido há exatos 53 anos. Conheci-o aos 16 anos, como integrante do quarteto vocal Siris de Imbé. Pós-adolescentes praieiros, fazendo backing vocals para uma Beth Carvalho aos 22 anos, cantando no 1º Festival Universitário da Música Popular Brasileira, concorreu com duas músicas: “Tá na Hora” e “Domingo Antigo”. Em 1968 e Sepé já estava envolvido e absolutamente apaixonado por esse negócio excitante da Bossa Nova e de sua descendente evolutiva, a MPB. 

Tempos depois, passou uma temporada no Rio, onde tornou-se produtor de discos dos mais competentes, trabalhando com os grandes da época, como Roberto Menescal e Armando Pittigliani,  sendo assistente de estúdio na então Philips/Phonogram/Polygram, em gravações que se tornaram célebres, como a da trilha sonora do filme “Quando o Carnaval Chegar” (1972), que trazia nomes como Chico Buarque, Nara Leão (1942-1989), Maria Bethânia, Hugo Carvana (1937-2014) e Antonio Pitanga, todos dirigidos por Cacá Diegues.

Voltando a Porto Alegre, associou-se ao saudoso pianista, compositor e arranjador Geraldo Flach (1945-2011) e ambos construíram o projeto da Plug Produções Fonográficas na produção de discos emblemáticos da finada ISAEC e jingles, que também se tornaram referência no mercado discográfico e publicitário gaúcho. Hoje, setentão e sócio-atleta do Clube da Marcianita, Sepé continua com o mesmo tesão pela vida e por esse negócio coruscante de produção de shows, discos e espetáculos musicais, com astros da cena porto-alegrense e nacional. Inquieto, criativo, com uma energia de garoto e uma capacidade infinita de fazer amigos e de se tornar referência de credibilidade para todos que desejem brilhar com qualidade artística verdadeira. Tornou-se, ao lado do também lendário Ayrton Dos Anjos, o Patineti, um dos últimos remanescentes da geração que colocou essa distante Província no mapa da melhor música popular deste país. 

Sepé de los Santos: uma figuraça

Sepé de los Santos é uma daquelas figuraças que se não tivesse nascido gente teria nascido música e, se pudesse, também pintaria tudo de música e se, por uma dessas artimanhas do destino não tivesse existido, teria que ser inventado — e com extrema urgência. 

Em 1985, quando atuei como gerente da Polygram, do Rio, para o Estado do Rio Grande do Sul, produzi ao seu lado o vinil da 13ª Edição da Califórnia da Canção, curtindo uma Uruguaiana em plena ebulição do grande Festival que acontecia num palco cercado pela mítica Cidade de Lona. Ali, durante dez dias e noites, imergimos em canções como “Canto dos Livres”, de Dante Ramón Ledesma, que acabou como o notável vencedor daquela Califórnia.

Atualmente, dono de uma expertise consolidada na produção e organização de eventos, Sepé, entre outras atividades profissionais, é o gerente e anfitrião do Espaço 373, uma casa noturna da Comendador Coruja e que mescla bar de happy hour com shows de artistas de primeiro time e atrações consagradas de nível nacional, como o maravilhoso Quarteto do Rio, pela primeira vez harmonizando clássicos da BN e da MPB no Portinho. O Espaço 373 consegue, sem ter especificamente uma atmosfera retrô, a proeza de reviver inesquecíveis ambientes que a cidade oferecia nos epifânicos anos sessenta, como o Barcaça, o Encouraçado Butikin, o La Locomotive, o Scavi e até o Whisky a Go Go, do memorável radialista Raul Moreau (1943-2016). 

O que dizer mais, de modo sucinto, desse cara notável, de vasto valor humano e que, obstinadamente, teima em oferecer biscoitos finos para plateias ávidas por cultura e precioso entretenimento? Apenas exclamar, com o coração à flor da pele, que Amigo, como bem disseram Bituca e Fernando Brant (1946-2015), em “Canção da América”: “é coisa para se guardar / Debaixo de sete chaves / No lado esquerdo do peito / Mesmo que o tempo e a distância digam ‘não’ / Mesmo esquecendo a canção / o que importa é ouvir / A voz que vem do coração”.

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